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Plataformização, Tecnologia e Território: O que a Parceria Acadêmica UFRJ-China Revela sobre o Futuro do Rio de Janeiro

Em aula inaugural no PPGCOM-UFRJ, o pesquisador chinês Jin Qian discutiu como os ecossistemas digitais se tornaram infraestruturas sociais. O IERJ analisa como esse debate internacional se conecta diretamente às transformações urbanas, econômicas e territoriais do Estado do Rio de Janeiro.

Cooperação Internacional e a Reconfiguração dos Sistemas Midiáticos

O Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCOM-UFRJ) iniciou o segundo semestre letivo reforçando a agenda internacional de pesquisa. A aula inaugural reuniu docentes, pesquisadores e estudantes para debater o tema “Plataformizando a China: convergência profunda e a reorganização do sistema midiático”, ministrada pelo professor Jin Qian, da Shanghai International Studies University (SISU).

O encontro — coordenado pelo professor Leonardo De Marchi e com participação da doutoranda Lucia Novaes (que desenvolveu pesquisa sanduíche na Renmin University of China, em Pequim, com apoio da Capes) — marcou mais um capítulo relevante na aproximação científica entre a UFRJ e instituições chinesas.

Durante a exposição, Jin Qian detalhou a evolução do ecossistema digital chinês. Plataformas como o WeChat e o Weibo evoluíram de meras redes sociais para superaplicativos (“everything apps“) que funcionam como autênticas infraestruturas sociais. Nesses ecossistemas, comunicação, pagamentos digitais, mobilidade urbana, consumo e acesso a serviços públicos ocorrem de forma integrada.

A “Sociedade de Plataformas” e os Desafios Sociais

A análise apresentada ressalta que o avanço da plataformização traz benefícios significativos em termos de eficiência operacional e desburocratização. No entanto, convive simultaneamente com dilemas centrais da sociedade contemporânea:

Concentração de Dados e Poder: A mediação algorítmica centraliza grandes volumes de dados e decisões estruturantes em poucas empresas e infraestruturas tecnológicas.

Transformações no Mundo do Trabalho: A automação, impulsionada pelo avanço da Inteligência Artificial e da robótica, deixa de afetar apenas o setor industrial e passa a reconfigurar o trabalho intelectual, o mercado publicitário e as indústrias criativas.

Inteligência Artificial Verde e Sustentabilidade: A discussão abrangeu também as investigações sobre a pegada ecológica dos centros de dados, governança ambiental e transição climática, temas centrais na agenda bilateral Brasil-China.

O Olhar do IERJ: Impactos da Plataformização no Estado do Rio de Janeiro

No Instituto de Estudos sobre o Rio de Janeiro (IERJ), acompanhamos rigorosamente como os grandes debates internacionais sobre tecnologia e sociedade se desdobram nas dinâmicas territoriais, urbanas e socioeconômicas do nosso estado.

A discussão promovida pelo PPGCOM-UFRJ traz reflexões de primeira ordem para o contexto fluminense:

Dimensão Territorial Impacto no Estado do Rio de Janeiro
Mobilidade Urbana e Serviços A intermediação algorítmica reorganizou o transporte coletivo e individual na Região Metropolitana do Rio, impactando o fluxo rodoviário, as condições de trabalho dos entregadores e motoristas de aplicativo e o planejamento urbano municipal.
Economia Criativa e Cultural A Baixada Fluminense, a Capital e o Leste Fluminense possuem polos criativos vibrantes cuja distribuição, financiamento e visibilidade dependem diretamente dos algoritmos das grandes plataformas internacionais.
Soberania Digital e Transição Energética Diante dos investimentos em Data Centers e infraestrutura tecnológica no estado, alinhar inteligência artificial, soberania de dados e sustentabilidade ambiental (“IA Verde”) torna-se indispensável para a preservação dos biomas e dos recursos hídricos fluminenses.


Fortalecendo a Ciência e a Universidade Pública Fluminense

A cooperação entre a UFRJ e instituições chinesas — que já abrange iniciativas estratégicas no Parque Tecnológico, em energias renováveis e no recém-criado Instituto Brasil-China de Inovação, Ciência e Tecnologia (BCCSTI) — demonstra a capacidade da universidade pública do Rio de Janeiro de atuar como polo global de conhecimento.

O IERJ reafirma o compromisso de integrar esse debate, produzindo análises territoriais e dados qualificados para que o desenvolvimento tecnológico no Estado do Rio de Janeiro ocorra de forma inclusiva, soberana e sustentável.

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