Com apoio da FINEP e em parceria com a CEDAE, o projeto IAguas utiliza modelos preditivos para antecipar riscos na qualidade da água de 10 milhões de fluminenses.
O monitoramento dos recursos hídricos no Rio de Janeiro acaba de ganhar um aliado tecnológico de ponta. O projeto IAguas, desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com as startups VM9 e Noah, está a implementar modelos de Inteligência Artificial para prever eventos críticos que podem comprometer o abastecimento de água na Bacia do Rio Guandu.
A iniciativa, que conta com financiamento da FINEP, surge como uma resposta estratégica aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela complexidade da gestão urbana na Região Metropolitana. Atualmente, o Rio Guandu é responsável pelo abastecimento de cerca de 80% da população da capital e de diversos municípios da Baixada Fluminense, totalizando quase 10 milhões de pessoas.
Antecipação como Estratégia de Gestão
O grande diferencial do IAguas é a sua capacidade preditiva. Segundo o coordenador do projeto, o professor Leonard Barreto Moreira, o sistema consegue antecipar em até sete dias variações na turbidez, pH e outros parâmetros físico-químicos.
“Detetar o risco com antecipação traz benefícios sociais e económicos. Permite que a CEDAE se organize para o uso eficiente de insumos químicos e reduza manutenções corretivas inesperadas, que são extremamente custosas”, explica Moreira.
Como funciona a “Triangulação de Dados”
O sistema não depende de uma única fonte. Ele realiza uma “triangulação” constante entre:
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Sensores de campo: Instalados em pontos estratégicos para recolha em tempo real.
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Imagens de Satélite: Utilizadas especialmente para monitorar a floração de algas em áreas de água parada, como as lagoas do Guandu.
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Dados Meteorológicos: Integração com INMET e Climatempo para prever o impacto de chuvas e radiação solar.
Reconhecimento e Futuro
O projeto já colhe frutos institucionais, tendo conquistado o 1º lugar no Prémio Finep de Inovação – Região Sudeste (2025). Para o IERJ, iniciativas como esta reforçam a importância da integração entre a academia, o setor público e a inovação tecnológica para garantir a resiliência das infraestruturas do Estado do Rio de Janeiro.
A fase de testes estende-se até julho de 2026, com planos de escalar a solução para outras concessionárias de água em todo o Brasil.



