Neste 03 de maio de 2026, o Brasil celebra os 100 anos de nascimento de Milton Santos, um dos pensadores mais influentes do século XX e o único geógrafo da América Latina a receber o Prêmio Vautrin Lud, considerado o “Nobel da Geografia”. Para o IERJ, esta data representa mais do que uma efeméride; é um convite à reflexão sobre como as categorias de análise miltonianas continuam vitais para compreendermos a complexidade do Rio de Janeiro.
O Espaço como Sistema de Objetos e Ações
Milton Santos revolucionou a ciência geográfica ao definir o espaço como um “conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações”. Para nós, que nos dedicamos a estudar as transformações do estado fluminense, essa visão é fundamental. Ela nos permite analisar desde a infraestrutura técnica até as dinâmicas sociais que moldam a nossa região metropolitana e o interior.
A Geografia da Globalização e o Rio de Janeiro
Em obras seminais como “A Natureza do Espaço” e “Por uma outra Globalização”, Milton alertou sobre a perversidade de um sistema que prioriza o lucro em detrimento da vida. Ele propôs o conceito de “meio técnico-científico-informacional”, que explica como a tecnologia e a informação redesenham os territórios.
No contexto do Rio de Janeiro, o legado de Milton nos ajuda a entender a Fragmentação Urbana como as redes de transporte e comunicação podem isolar ou integrar comunidades; a Resistência Cultural com o papel do “fazer” popular e da cultura local como formas de resistência à homogeneização do espaço e a Inteligência Territorial por via da necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades de cada lugar, combatendo desigualdades históricas.
Um Compromisso com o Futuro
O IERJ reafirma seu compromisso com a produção de conhecimento que dialogue com a Razão Cidadã defendida por Milton Santos. Celebrar seu centenário é manter viva a chama de uma ciência engajada, que não apenas descreve o mundo, mas busca ferramentas para transformá-lo em um lugar mais justo e solidário.
Ao celebrarmos Milton, celebramos a possibilidade de um Rio de Janeiro — e de um Brasil — que reconheça no seu território a sua maior riqueza: o seu povo.



