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Trens do Rio: O que muda com a chegada do consórcio Nova Via Mobilidade?

O Governo do Estado do Rio de Janeiro formalizou, nesta quinta-feira (12), a entrada do consórcio Nova Via Mobilidade como o novo operador do sistema ferroviário metropolitano. O contrato, assinado pela Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram), prevê um investimento de R$ 652 milhões nos próximos cinco anos. No entanto, o clima entre especialistas e passageiros é de cautela, dado o histórico recente de colapsos financeiros e operacionais na malha ferroviária fluminense.

Um novo modelo para evitar erros do passado

A principal aposta para não repetir o fracasso da concessão anterior está na mudança do modelo de remuneração. Diferente do contrato da SuperVia, onde o lucro dependia quase exclusivamente do número de passageiros, o novo operador será pago por quilômetro rodado (carro-km).

Essa estratégia visa blindar o sistema:

  • Menos risco de déficit: Se o número de passageiros cair, a empresa continua recebendo para manter os trens circulando.
  • Foco na oferta: O incentivo passa a ser o cumprimento das viagens, e não apenas a lotação das composições.

A herança de uma infraestrutura precária

Apesar do otimismo oficial, os desafios são hercúleos. O aporte previsto de R$ 600 milhões terá que dar conta de uma rede aérea degradada, furtos constantes de cabos e uma via permanente que exige substituição urgente de trilhos e dormentes.

A transição será gradativa e deve durar até 90 dias. Durante este período de “operação assistida”, a antiga concessionária e o novo grupo atuarão juntos. A prioridade inicial, segundo a secretária Priscila Sakalem, é apenas a estabilização. Ou seja: antes de pensarmos em modernização, o sistema precisa parar de falhar.

Segurança: O eterno gargalo

Outro ponto crítico é a segurança pública nas faixas de domínio. O governo sinaliza a ampliação do Grupamento Ferroviário (GPFer) e a possível criação de um batalhão especializado da PM. Sem o controle territorial das linhas, qualquer investimento em infraestrutura corre o risco de ser anulado pelo vandalismo e pela criminalidade.

O veredito: A assinatura do contrato é um passo burocrático essencial, mas para os 300 mil usuários diários, a real mudança só será sentida quando o intervalo entre os trens diminuir e as interrupções por “problemas técnicos” deixarem de ser a regra.

 

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